Harare – Zimbabwe

Meus queridos!!!!!

Mas que tal essa vida pelo mundão? Sabe que eu ando meio pensativo… Muito tempo querendo viajar e tudo mais… Mas pois então, pensamentos vagos para começar um post no mínimo interessante! 😀

Dos países ao redor do norte de Moçambique, faltava apenas um que eu não tinha visitado… E ele se chama Zimbabwe!

Sempre ouvia falar do Zimbabwe, mas sei lá, nunca quiz tanto ir. Sempre ouvi da crise financeira, da história da colonização, da expulsão dos brancos, etc… Mas nada se tornou tão atraente que me fizesse gastar um feriado para ir para lá… Não pelo menos para a capital Harare, já que se fosse para ir até a Victoria falls (Cataratas de Victoria), eu iria sem pestanejar! Pena estar confuso para ir até lá (voos difíceis e caríssimos, empresas aéreas falindo, etc…).

Então, chegamos em Julho e eis que me surge um feriadin…  Dia de Independência de Moçambique. Em Moçambique this means TRAVEL!!!!! Resolvi finalmente conhecer Zimbabwe e colocar aquela LINDA estampa de visto dentro do meu passaporte Brasileiro…

Tão bonito ter eles no passaporte, vai dizer?

O visto pode ser tirado na fronteira mesmo, sem esforço. Custa 30 dólares.

Bom, tive meus fiéis companheiros de viagem por aqui, dessa vez adicionados a alguns outros não tão conhecidos aqui do blog, mas que serão sempre bem vindos… Na lista por carros:

Carro 1 (Black Mamba) – Eu, Alexsandro Cota, Paulo Lana, Marcelo Trimboli

Carro 2 (Sujinho) – Fernanda Brito e Fábio Brito

Carro 3 (White Supremacy) – Allan Cordeiro, Carol, Nathan, Paula

A galera toda… Ana Carol, Alan, Paula, Nathan, Alex, Eu, Fernanda, Fábio, Marcelo e Paulo.

Cada carro, claro, com seu apelido… Apesar de não ter muita lógica (é apenas referente a cor dos carros), o único apelido que vale a pena explicar é o Sujinho… ahahahahahahha

Saimos de Tete rumo a Harare, capital do Zimbabwe, na Sexta-Feira de madruga (5h da manhã, com intenção de chegar na fronteira as 7hs. Foi mais ou menos o que aconteceu. Na fronteira tínhamos alguns medos, pois fronteira aqui é sempre uma aventura… Mas no fim, depois de muito papo e amendoim, atravessamos todos.

Logo depois de sairmos de Moçambique, chegamos na fronteira do Zimbabwe (uns 300 metros a frente da fronteira de saída de MZ) e ai logo notamos algumas diferenças, que infelizmente, precisam ser notadas.

POR QUE, MEU DEUS DO CÉU, as pessoas que trabalham em nas fronteiras de Moçambique fazem TANTA questão de complicarem com você? Por que, meu deus?

A impressão que se tem saindo ou entrando em Moçambique, que as pessoas não te querem aqui. Não fazem questão nenhuma de lhe ajudar e acham todos os motivos para atrapalhar teu trâmite. Aconteceu algo engraçado, para não dizer triste, comigo na fronteira de MZ. Quando entreguei meu papel de saída, o rapaz da fronteira me olhou com cara feia e listou um campo que eu não havia preenchido (já que no campo dizia: RESERVADO PARA ENTIDADES OFICIAIS – ou seja, eu não devia preencher). Quando vi, nem quiz comentar isso, e como eu estava sem caneta e o rapaz tinha uma, pedi gentilmente para ele me emprestar a sua caneta para eu fazer o trabalho que ele devia fazer… Pra minha surpresa, ele disse que não, como se aquela caneta valesse toda sua vida e poder. Por que diabos agir assim?

Foto randômica: Embondeiro (Baobá) logo depois da fronteira… Eles são grandes demais!

Pois então, na fronteira do Zimbabwe, tudo TOTALMENTE diferente. Todas pessoas rindo, te entregando as coisas na boa, emprestando fucking canetas e fazendo questão de se mostrar interessado na sua nacionalidade e sua procedência. Claro, o Zimbabwe passou por uma crise recente e turismo é sempre bom, mas nota-se que não é esse o interesse, é simplesmente querer conhecer… Fica o feedback para as fronteiras de MZ: Conhecer pessoas é legal e turistas trazem DINHEIRO: importante para mexer a economia do SEU País!

Pois então, passamos na fronteira rapidamente e seguidos adiante. Ai começaram os “problemas”… Nunca vi tanta blitz de estrada em toda a minha vida. Basicamente na ida, passamos por umas 8 blitz, creio eu, em 2 delas fomos parados… Fomos, quero dizer o carro “Sujinho”… E para piorar, eles foram multados 2 vezes.

Multa 2 – Falta de fitas refletoras nos parachoques fronteiros e traseiros (isso é lei na África, o carros sempre tem fitas refletoras nas bordas do carro para brilharem na noite);

Multa 1 – O carro estava muito sujo e isso era uma ofensa para o país! AEHUAEHUAEUHEAHUAEHUEAUHAEHUAEHUAEHUAEHUEAH Dá pra acreditar? Tá aí a origem do apelido.

Sério, o carro realmente estava sujo, mas multar por isso? Porra, o cara mereceu esse dinheiro por que foi a multa inventada mais divertida de todos os tempos!!! ahahahaha Coitado do Fábio e da Fernanda que ficavam se explicando em inglês para todos policiais corruptos que passavam… Isso não adianta, corrupção aqui está por todos os lados… :/

Well, 6 horas depois de sairmos de Tete, estavamos chegando em Harare, Zimbabwe. Um porém, eu esqueci de falar um pouco do país, né? Wikipedia lá vamos nós:

Bandeira do Zimbabwe
Bandeira do Zimbabwe

ZimbabweZimbábueZimbabué[2] ou Zimbaué (do xona Zimbabwe, “Casa de Pedra“) é um país da África Austral, anteriormente designado Rodésia do Sul e depois simplesmente Rodésia. É limitado a norte pela Zâmbia, a norte e a leste porMoçambique, a sul pela África do Sul e a sul e oeste pelo Botswana. Sua capital é Harare.

O território é constituído por uma região planáltica coberta de savanas, sendo a altitude máxima de 2558 m. O solo é muito fértil, propício à agropecuária. A criação de gado bovino e a cultura do tabaco constituem a principal riqueza económica. O subsolo guarda ouro, amianto, carvão e cromo. Wikipedia

Muito eu posso falar sobre o Zimbabwe, poderia ser uma aula de história, mas vou focar em coisas pontuais que notei lá e que fizeram minha viagem valer MUITO a pena…

1) PEDRAS

Isso é apenas uma característica do país, mas é muito marcante… Pedras. Logo que tu passa da fronteira, tu começa a notar que o terreno lá é muito rochoso. Existem muitos “morros” de pedras e muito no chão em geral… Ela também é o principal material dos artesanatos feitos no país. Além disso, as pedras estão nas cédulas do antigo Dólar Zimbabwano…

Morros de Pedra!
A pedra que parecia um rosto! 😛
Terras para cultivar?

2) CRISE ECONÔMICA

Zimbabwe teve uma histórica crise econômica que levou a 2 maior taxa de inflação da história do planeta, a um ponto de ser 98% de inflação ao dia… 11.200.000% ao ano!! Acreditem, o governo passou emitindo diversas notas a medida que a crise foi se mantendo/avançando, chegando ao ponto de emitir notas com valores ABSURDOS como a nota abaixo…

10 trilhões de dólares. ESTOU TRILIONÁRIO!! Chega a dar um nó na vista olhar tantos zeros em uma nota!

Quando eu fui para lá, fui destinado a conseguir as notas daquele período, pois eu acho muito legal notas que representam momentos como esse e eu queria muito dar de presente pro meu pai, que coleciona! 🙂 Depois de procurar pelas ruas, táxistas, vendedores de crédito de celular, entre outros, encontrei em uma feirinha de artesanato.

A história da crise é, de forma resumida, a seguinte:

Na década de 90, o enigmático/problemática presidente Roberto Mugabe, resolveu fazer uma reforma agrária no país para redistribuir as terras que em grande parte estavam nas mãos dos brancos, grande parte de origem inglesa, antigo colonizador do Zimbabwe. Até aí, quem sabe, tudo bem. O problema, pelo que dizem, é a forma como foi feita. Basicamente todos os brancos foram convidados/obrigados a sair… e os que não obedeceram… Well, não sobraram para contar a história.

A redistribuição de terras foi feita de forma violenta, basicamente entre/para a população negra e de forma muito controversa. Durante muito tempo, diversos países do mundo foram contra a maneira como isso foi feito.

O problema de tudo isso, foi que causou uma reviravolta na economia do país, já que as terras cultivadas do país e grande parte da economia girava graças a essa população que possuia as terras a tempos. Quando redistribuidas, as terras não produziram o mesmo que antes, ou nem produziram, e geraram a crise economica de proporções históricas que falei acima…

Mais legal do que falar mais que isso, foi essa apresentação que recebi a muito tempo sobre a crise no Zimbabwe (clique no nome abaixo pois a apresentação não carregou aqui no post):

Tão interessante quanto essa história, é como tu se sente no país enquanto está lá… Essa reviravolta transformou o país em algo estranho. Primeiro, tu basicamente não vê brancos nas ruas, e realmente se sente um ET andando pelas ruas. Mesmo na capital do país, basicamente toda a população é negra… É raro ver um branco… Eu não pude comprovar, mas também ouvi falar que a população não simpatiza muito com brancos, inclusive não sendo recomendado sair a noite.

Outra coisa muito curiosa sobre isso é que com a crise atingindo os níveis que atingiu, o governo extinguiu a moeda oficial do país, o Dólar Zimbabuano, e começou a aceitar moedas de outros páis. Hoje, na grande maioria, circulam no país o Dólar Americano, o Rand Sul Africano e o PULA da Botswana. É estranho viver num ambiente sem identidade econômica. Tu recebe os trocos em Dólar, Rand, etc. É muito estranho.

Acho que isso foi o que mais me impressionou na viagem. Passar por um lugar assim, onde tu parece um ET e onde parece que é tudo economicamente confuso, me deixou muito intrigado. Não sei explicar o sentimento.

3) PARQUE DE LEÕES E CHEETAS E MUNDO DAS COBRAS

Uma das coisas mais famosas que tem para fazer lá é no Parque de Leões e Cheetas (onde não há mais cheetas) e também no mundo das cobras. Eu vou resumir isso, é basicamente um Zoológico. Para quem já fez um Safári, ir num Zoológico novamente é totalmente sem graça, e foi mais ou menos assim que eu me senti. IMPORTANTE: Mesmo assim vale a pena ir, pois ver leões e outros animais de perto é sempre uma experiência maravilhosa.. Especial o da primeira foto abaixo:

Minha amiga tartaruga de 300 anos!! Impressionante o tamanho desse bixo, e pior, ele nem é tão lento… já que tem passos grandes!

O parque é dividido de um lado o “Zoológico”, onde leões são criados e alimentados e tem outros animais em jaulas para ti ver e do outro Sáfari, onde há uma área com leões soltos, onde tu entra de carro e fica dirigindo entre eles…

Placa que indica os locais… Meio difícil de enxergar na estrada… Mas vale como orientação! 🙂
Placas na entrada do parque
Dentro do parque… Não podia beber! :/
Leões…
O rei da floresta!
Leoa. É um filhotinho… 🙂
Nessas horas que tu vê que eles são filhotes. Olha a bobeira deles brincando com o cara do parque! hahaha

Outros animais que também tinha no parque:

Crododilinho… Vocês sabem a principal diferença visual entre um crocodilo e um jacaré? É aquele dente para fora! 🙂
Macacos!
Hienas – Uma curiosidade. Esse animais são alguns dos mais corajosos da floresta. Eles são alguns dos únicos que conseguem intimar um leão e vencer (normalmente em grupo), porém eles tem um grande defeito: Eles tem medo de qualquer animal mais alto que eles. Nosso guia pulou dentro da jaula deles e eles ficaram desesperados fugindo. Essa história é retradada em um filme que passava direto na sessão da tarde, acho que eram “Os deuses só podem estar loucos” ou algo assim….

O outro lado do parque, tu pode andar de carro no meios dos leões, onde tu vê eles sendo alimentados e por aí vai:

Chegando na área dos leões
Leões entre os carros.
E na hora de sair, o que fazer?!?!?

Além de ir no Lion’s park, que teve esses locais que vocês viram acima, tem um outro parque com criação de cobras chamado “Snake’s World”. Dá pra ti ver varias cobras dentro de vidros (obviamente vivas) e algumas não venenosas tu pode pegar na mão e ficar brincando… E na boa, mesmo sem veneno, dá um medão! eheheh

Cobrinhas…
Apesar dela parecer calma, parece que está sempre querendo dar um bote.
Se enrosca todo o bixo!!
Mais cobra!
A famosa e mais temida cobra do mundo: Mamba Negra. Para quem não sabe, a Mamba Negra não é uma cobra preta como a maioria das pessoas pensa. Ela é uma cobra cinza e é a parte interior da sua boca que é preta. Ou seja, quando ela dá o bote, dá para ver a boca negra. Um ser humano normal morre em 40 min com a picada de uma cobra dessas. Doidera né?

4) SAFÁRI A PÉ (Walking Safari)

Bom, existem alguns safáris perto de Harare, porém sempre me disseram que não há muitos animais. Até por que, convenhamos, um Safari perto da cidade não pode dar certo.  Porém, existem alguns animais e é diferente fazer um safari caminhando por um mato ao invés de estar sempre dentro de um carro.

Como eu falei no Parque do leões, o Woodmead Park no Zimbabwe é como se fosse um Zoológico dentro de uma área preservada. Basicamente lá tu encontra: Girafas, Empalas (viadinhos), Emas, Zebra, Galinhas da angola, Emas e Gnu (não lembro se é assim que se escreve). Como eu adoro qualquer Safári, mesmo repetido, valeu a pena. Mas é completamente diferente de ir em um Safaria como no South Luangwa National Park na Zâmbia…

Este outro parque também tinha crocos!
Esse parque tinha uma área que tu podia ver os animais sendo alimentados de um ângulo superior. Bem interessante, meio que uma arquibancada. Logo depois, fomos ali com eles! 🙂
Gnu macho master. Esse era o cara. Dominava no meio dos outros animais da sua espécie…
Linguinha…
Me deu vontade de pedir um beijinho…
E dai ela não resistiu e eu ganhei!!! AHAHAHAHAHAHAHAHH Ok, era um girafo, mas fazer o que?!
Galerinha e a girafa!
Caminhando… E as Zebras lá na frente. Fila indiana de atrás do guia.
O guia… Acho que era Will o nome dele.
Emas. EMAS. Esse foi o animal que fez a gente mudar da estrada para o meio do mato. Dá pra acreditar? Bixo não ficou intimidado com a gente. eheheh

5) ARTESANATO

Bom, diferente de Moçambique, o grande forte do artesanato no Zimbabwe é com pedras. Deêm uma olhada na feirinha (foi nessa feira que eu também consegui comprar as notas antigas de dólares do Zimbabwe).

Artesanato
Mais artesanato em pedra. Comprei muita coisa! 😛

6) A CIDADE DE HARARE

O que é interessante relativo a cidade, é que da para notar perfeitamente a influência inglesa na arquitetura da cidade. A cidade é bem estruturada e é bem bonita, apenas está começando a ficar muito suja, e as vezes, até parece meio abandonada.

Harare #01
Harare #02
O prédio proibido. Como em quase todos lugares da África, qualquer prédio militar ou do governo é proibido tirar foto. Claro, descobrimos isso graças ao guardinha que veio nos avisar! 😛 Bom que o registro já estava feito. Ai é sede da justiça/militar do país.
Carro elegante sabemos que tem… 😛
Esses prédios me lembram demais a Inglaterra.
Museu de Arte e Cultura de Harare. Chegamos lá e ele estava fechado… Dai esquecemos de ir no outro dia. Mesmo assim, não parecia tão interessante…
Vista do 4 andar do Hotel Holiday Inn em Harare.

7) FOTOS RANDOM

Cervejas do Zimbabwe – A Zambezi é a melhor! 🙂
Culto religioso. O mais interessante é que ele acontece na rua, geralmente embaixo de arvores e dura HORAS, tipo, um dia inteiro. Tu encontra por diversos lugares da cidade…
Monumento no caminhoa dos parques que eu não tenho idéia do que seja, mas juro que vou tentar descobrir….
Onibus de viagens por aqui. Alguem ainda fala mal da Planalto Transportes e da Viação Santa Cruz?

Bom, eu realmente acredito que já escrevi absurdamente demais. Em resumo, eu achei que a viagem valeu muito a pena por ter conhecido um país diferente, mas também e principalmente por sentir o que é estar em um lugar pós crise, buscando por um renascimento e com um esforço grande para erguer o país novamente.

No mais, como sempre, acho que as fotos da viagem falam por si.

Espero que gostem.

Tiago

10 comentários sobre “Harare – Zimbabwe

      1. Tiago, porfavor, me dê uma orientação. Vou ao Zimbabwe no mês de Agosto, onde a temperatura varia de 24° à 7° C.. quando você foi, como estava o clima? Foi preciso usar roupas de frio? Obrigada desde já.

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