Tradição | Fogo de Chão

Buenas?

Pois bem, faz tempo que eu to enrolando pra fazer esse post, por isso vou tentar focar e escrever logo.

Orgulho... (fora da bandeira do inter... mas tudo bem).

Todo mundo sabe aqui que sou gaúcho, adoro minhas raizes e tento trazer comigo sempre um pouquinho dela, nem que seja com meu chimarrão e um belo churrasco. Pois depois que vim pra Moçambique tentei manter isso mais ainda…

Um dia tava em um dos restaurantes aqui de Tete, bem no início do meu intercâmbio, em 2010, e vi um cara que eu não conhecia entrando com uma camisa do Grêmio no restaurante. Vocês não tem noção da minha reação. Levantei no meio do bar e gritei: GRÊMIO!!!!!! O cara logo veio falar comigo e descobri que ele era de onde??? Venâncio Aires, uma cidade a 100 km da minha no RS. Descobri que ele trabalhava em uma empresa a qual eu já sabia que tinha um gaúcho aqui… Foi o que faltava para eu procurar gaúchos perdidos em Tete.

Então depois de alguns contatos, telefonemas e encontros, fiz meu grupo de gaúcho em Tete. Na empresa que eu trabalho dava pra contar na mão o número de gaúchos que tem, já agora, tenho que usar os dedos dos pés e das mãos para contar… Só alegria.

E pra celebrar essa junção, fundamos um CTG (Centro de tradições gaúchas)… Tá, ok! A gente imaginou um nome para um… Que envolvia Embondeiro, mas me deu um branco agora… eheheheh NOME!!!!

Mas então, resolvi organizar aqui em Tete, um dos eventos mais tradicionais da gauchada no RS: Fazer uma costela no fogo de chão. Esse é considerado o churrasco mais tradicoinal que tem, que é cultivado a muitos anos no RS. Muitos que já comeram, consideram que é o churrasco com a carne mais saborosa que existe.

A história diz que a costela de fogo de chão surgiu nas fazendas antigamente, onde os patrões matavam o gado para consumo próprio e pegavam para si as consideradas carnes nobres (picanha, maminha, alcatra, file mignon…) e entregavam aos peões as costelas, carnes consideradas não nobres e diféceis de assar ou usar no dia-a-dia. Os peões, enquanto cuidavam do gado do patrão, fazia um buraco no chão, cravavam a costela em lanças de pau e deixavam assando ela por horas e horas apenas temperada com sal grosso (muitas vezes utilizado para alimentar o gado), enquanto trabalhavam, tomavam um mate e proseavam (conversavam). E assim surgiu um dos mais bonitos e gostosos costumes do Rio Grande.

O segredo da costela no fogo de chão é que geralmente a carne perto do osso, quando assada, fica muito saborosa. O problema é que a carne da costela em geral é mais dura que a do resto, tornando o mastigar um pouco pior, mesmo que mais saboroso que muitas carnes nobres. Então, para amaciar a carne, nada melhor do que ao invés de assa-la diretamente no fogo, faze-la cozinhar no calor. Por isso a costela é geralmente colocada de pé entre duas fogueiras, pois assim o fogo não bate diretamente nela, e ela assa apenas com o calor vindo das duas fogueiras nos 2 lados.

Mais ou menos assim... Lindo né?

Pois então, e lá me fui eu me aventurar a fazer isso eheheheh… Como todo gaúcho sabe, o mais importante não é o churrasco em si, mas sim reunir os amigos, tomar um mate, falar da vida, admirar a carne assando, beber uma cerveja e dar bastante risada. Nesse quesito tenho certeza que tivemos sucesso absoluto na tentativa. Além disso, a carne ficou deliciosa.

Como não acho motivo pra ficar falando, vou postar as fotos logo. Vocês vão notar que fizemos um pouco diferente da foto acima, mas o conceito é muito parecido…

É simples, é apenas carne e sal. Sal é o tempero universal...
Agora sim mostrando o "produto"... Devidamente preparado e trajado.
Agora sim onde elas deviam estar desde o seu horário tradicional. 6 horas da manhã...

Para quem tem interesse em saber… assar uma carne assim dura tem torno de 8/10 horas… e no estilo que foi feito dessa vez, é necessário virar a carne algumas vezes… O segredo é a paciência e a distância do fogo pra carne. Ela tem que ser cozida pelo fogo, não queimada. 😉

Mais fotos do agito abaixo…

Toda a trupe comemorando a semana farroupilha aqui em Tete. Sim, essas fotos foram em Setembro de 2011... demorei um pouquinho pra postar...
Meus companheiros no fogo. Maikon, George e eu... só faltou o Brunão, responsável por comprar estas costelas espetaculares!!
Até paulista foi autorizado a participar... Grande Luciano.
Mais uma carninha e um cabritinho assado do lado pra ocupar a galera...
Começando a dar uns talinhos pra ver como estava...
Quase lá...
Agora sim, pronta pra servir!! Vejam ali que o osso soltou um pouco da carne. Dependendo do tempo que a carne fica no fogo, tu pode simplesmente puxar o osso que ele sai facilmente...
Preparando para servir.

Eu coloquei a carne para assar em torno de 9h30min da manhã e a carne serviu mais ou menos as 16h30min. Eu acho que ainda podia ter deixado mais 1 hora, mas dai ninguem mais aguentaria de fome… eheheheh Mas estava excelente!

Eu saboreando minha própria obra. Também sou filho de Deus, não?

Tá aí um dos motivos que eu mais amo na cultura gaúcha. A graça de fazer isso tem a ver com estar com os amigos e saborear tudo junto. Os amigos, o mate, a carne, a cerveja e por aí vaí. Bem como diz aquela famosa frase:

“Happiness is only real when shared.” (Felicidade só é real quando compartilhada).

Obrigado as amizades pelos momentos que passamos juntos naquele fim de semana. Foi flor de especial. Obrigado especila a Gisela por ter fornecido algumas das fotos que estão neste post.

Um grande abraço!!

Tiago

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2 comentários sobre “Tradição | Fogo de Chão

  1. Mas bah tchê amigo….
    Até dá inveja pois, mesmo aí na África, tu tá comendo um churrasco como manda o figurino! Pra descontar tô botando fogo num carvãozito e preparando a rotativa pra assar umas pelanquinhas.
    Um forte quebra-costelas deste amigo e lembranças aqui do Passo da Areia.
    (Em Tempo, teu colega tem feito boas fotos com a lente 300mm?)

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