Vilanculos / Bazaruto

E ai meus queridos, que tal essa vida?

Relaxe...

Pois bem, tá foda atualizar o blog. Admito que começa a se tornar um pouco cansativo fazer os posts sempre como eu gostaria que fossem. Como eu sou virginiano e não consigo fazer as coisas de maneira que eu não considere que foi pelo menos perto do melhor que eu podia, acabo deixando passar… Na verdade to cheio de coisa pra contar pra vocês, mas isso vai ficar pra outro post (Que prometo que será em breve).

Aproveitando que neste Sábado rolou um churras e eu durmi depois até as 3h da manhã e depois fiquei sem sono, vou escrever um post que pra mim, é um dos meus marcos aqui em Moçambique.

Desde que eu falei a primeira vez que ia vir para Moçambique, uma das minhas melhores amigas no Brasil, a Srta. Kellen Lencina, fico maravilhada com um lugar aqui de Moçambique que ela tinha visto no Google, chamado Bazaruto. Obviamente, foi só eu ver o lugar que eu pus na minha lista de “Must visit” enquanto estivesse aqui. Como meu tempo aqui estava acabando, consegui um feriado e uns amigos e me fui pra lá.

“O arquipélago de Bazaruto é um grupo de ilhas no Oceano Índico, localizadas ao longo da costa de Moçambique. As ilhas alongam-se denorte a sul por aproximadamente 55 kms, e estão a cerca de uma quinzena de quilómetros do continente. Pertencem ao distrito de Vilankulo, província de Inhambane.” Via Wikipedia.

Arquipélago de Bazaruto visto de cima. Dá pra ver a beleza dela vendo de cima, né?

É um lugar estupidamente bonito. É o tipo de lugar que é díficil de explicar o quão bonito é, sem for até lá. De verdade, sinto que não consegui mostrar por fotos, o que a gente vê com os olhos. Nessa hora eu vejo que meus dons fotográficos ainda são muito fracos.

Daqui onde eu moro, na verdade, não é muito perto, são 900km. Depois de quase metade das pessoas não poderem viajar (mas apenas 1 acabou não indo), pegamos 2 carros, unimos 8 pessoas e se fomos, encarando basicamente 10 horas de viagem, numa madrugada de Sexta Feira.

A viagem já um capítulo a parte, já que viajar aqui é sempre uma aventura arriscada e maravilhosa ao mesmo tempo. Depois de eu ter estudado em Porto Alegre, quando tinha que viajar 800 km por fim de semana, me acostumei a dirigir por longos períodos sem me incomodar, apenas preciso de uma boa música e se tiver uma boa cia pra conversar, melhor ainda. Isso não faltou…

Aqui em Moçambique, e pelo que ouço falar na África toda, parece que as pessoas não dormem. Não existe um lugar onde tu esteja andando ou dirigindo que não tenha alguem andando pela rua, em qualquer hora do dia. Normal tu estar dirigindo focado quando do nada parece alguem do lado da estrada (ou NO MEIO!!!!). O povo as vezes parece um pouco suicida também… Na viagem quase mandamos pro céu um porquinho e um ciclista sorridente… Graças a deus, nada aconteceu.

A estrada aqui também é complicada. Viajamos por uma EN (Estrada Nacional), que são as estradas principais do Moçambique (tipo as BRs no Brasil), que não dá pra negar que são estradas boas, porém sem acostamento então qualquer animal e pessoa ficam direto na pista. E pra piorar, logo depois que acaba a estrada, é um barranco de 4 metros de altura. Ou seja, viajar aqui, principalmente a noite, demanda uma atenção redobrada.

Infelizmente um grupo de amigos que são da Odebrecht sofreram um acidente durante a viagem. Um cabrito se atravessou na frente da van e eles acabaram capotando. Graças a deus ninguem se machucou, porém eles foram saqueados pela população da região. Situação meio triste, que eu certamente criticaria, se não soubesse que isso também acontece no Brasil. Fazer o que… No fim deu tudo certo para eles! 🙂

Voltando ao outro assunto, uma coisa interessante é que perto de Vilanculos tem uma ponte EXATAMENTE igual a Ponte Samora Machel aqui de Tete (olhe aqui!). Tem pedágio também (em apenas uma das direções) e está em condições muito piores que a de Tete, obviamente por que a de Tete foi recém reformada.

Ponte na região de Save. Igualzinho a Ponte Samora Machel em Tete, porém está atualmente mais destruida. Olhem para o alinhamento da ponte, a estrada está toda irregular. Para ajustar tem que regular os cabos que seguram a ponte (foi o que fizeram em Tete).
Alguem me explica q q era isso??!?!

Como descrito acima, o arquipélago é um conjunto de ilhas, uma mais linda que a outra e todas acessíveis de barco pela praia da cidade de Vilanculos.

  • Bazaruto : a ilha principal, deu o nome ao arquipélago, tem um comprimento de 32,5 kms e uma largura de cerca de 5 kms.
  • Benguerra : situa-se a um quilómetro a sul da ilha de Bazaruto, medindo uma dúzia de quilómetros.
  • Magaruque : localiza-se a 5,5 kms da ilha de Benguerra, sendo mais pequena.
  • Santa Carolina : com 2 kms, localiza-se entre a ilha de Bazaruto e o continente.
  • Bangue: ilhota a sul da ilha de Magaruque.

Na nossa viagem, decidimos visitar 2 delas, por é o que foi possível: a Ilha de Magaruque e Bazaruto. Ficamos na cidade de Vilanculos em um Hotel bem barato porém bem gostoso chamado The Beach Village Vilaculos, e íamos de barco para as ilhas.

The Beach Village Vilanculos. Cabaninhas que eram os quartos no hotel.
Piscininha do hotel.
Vista muito triste logo dos fundos do hotel. Notem que a maré estava BEM baixa, como bem de costume nessas praias paradisíacas aqui da Africa
Mais um pouquinho...
E deu!
Mentira, só mais essa.

Como vocês podem ver acima, Vilanculos em si já é um lugar MUITO bonito. Porém, os lugares bonitos são realmente as ilhas. Como a gente atrasou nossa viagem em algumas horas, chegamos em Vilanculos ao meio dia, então tivemos que ir correndo pra conseguir aproveitar um pouco a ilha de Magaruque.

O único problema, é que a gente tava um pouco cansado (principalmente o pessoal que tinha dirigido) e por isso acabamos nem aproveitando tanto. Pra vocês terem uma idéia, nem tirei fotos nessa ilha! ahahahha Outra coisa, como chegamos tarde, chegamos quando a maré já estava alta, e isso deixa o local “menos bonito” e também fica ruim para Snorkling (mergulho) pois a água fica com mais particulas.

Água transparente. Eu amo o Índico.
O barco que nos levou. Claro que o Paulo não era o "piloto".
A galera. Fora os 2 barqueiros da esquerda, na foto: Marcel, Khessar, Eu, Paulo Ven, Cibele, Gláucia e Mario. Faltou a Roberta que estava tirando a foto.
Olhem a água...
Assim dá pra ver melhor?
Agora sim, né?

Na real chegamos lá, demos uma mergulhada, fiz uns snorkling basico, andei um pouco pela areia e logo deitei numa rede. eahueahuheuahuae Essa foto representa bem meu tempo na ilha de Magaruque:

Que cansera!
Na volta do barco, descanso...

Ou seja, em relação a Magaruque, vou resumir em alguns pontos/conselhos:

1) A Ilha é bonita, mas eu esperava bem mais.

2) Não vá tarde para as ilhas, tu perde a maré baixa e a ilha perde metade da beleza e do divertimento.

3) Vá bem descansado ou não beba muito durante a viagem de barco. Claro, isso se você é que nem eu, que bebe e tem que durmir… ehehhe

4) Em resumo, metade da graça de ir para essas ilhas é a própria viagem.

Na volta desse dia, passamos a noite toda no hotel. Agitamos UM HORROR. Levamos um violão e acabamos nos reunindo na beira da piscina e ficamos tocando a noite inteira. O resto dos hóspedes acabou se unindo a nós e foi bem divertido. O único problema, que foi um problema do hotel, é que a janta demorou 3 horas para sair. O bom que estavamos nos divertindo enquanto esperavamos, por se não tinha rolado estresse CERTAMENTE.

Aqui vale lembrar muito um sul africano que tava mais bebado que o Batman e ficava interagindo de uma forma, no mínimo, engraçada com a gente. Tinha um jeito todo “especial” de dançar! aehuaheuhueahu Figuraça!

Mas agora sim, vamos falar da viagem para a ilha de Bazaruto. Essa sim fez a viagem valer a pena. Dessa vez, encontramos outros colegas que tinham ido aqui de Tete e também a Mari Mungai e o Rodrigo de Maputo no mesmo barco, e fomos todos juntos. Basicamente, era um barco só brasileiro (fora o Khessar e a Marinela, que já são quase brasileiro, de tanta andar com eles… ehehe).

A galera toda.

Essa viagem foi realmente completa e intensa. Vamos dividir ela em pré / durante / pós.

Pré:

Depois da noite anterior, nos atrasamos e fizemos todo mundo ficar esperando. O trago da noite anterior acabou pesando um bom bocado no corpo de todo mundo e demoramos para conseguir levantar a bunda e ir até o local de pegar o barco. Chegamos lá e a maré já tinha baixado tanto que tivemos que ir apé até metade do oceano, pois o barco teve que ir até lá pois se não não ia conseguir sair do lugar.

Acreditem, aquele sou eu e o Marcel levando cerveja até o barco lááááá no meio do mar.

Uma coisa muito legal nessas viagens de barco, é que geralmente elas incluem uma refeição (geralmente um almoço). O legal mesmo disso, é ver o almoço sendo preparado enquanto tu tá indo viajar. Vejam nosso mestre cuca:

Nosso mestre cuca preparando o almoço suavemente enquanto viajavamos.

O cardápio foi um peixe assado, com salada, arroz, coco, manga e mais alguma coisa que eu esqueci o que era. Tava uma delícia, muito melhor que o da viagem do dia anterior (que tinha sido um molho de lula com arroz e salada). Impressionante como eles fazem comidas boas com tão poucas coisas.

Claro, a parte de higiene fica um pouco de lado, mas depois de tudo que eu já comi aqui, nem to mais tão preocupado com isso ahahhhaa Só preciso lembrar de tomar um remédio pra vermes quando chegar no Brasil. 😛

Presta atenção nisto. Olhas as CORES do oceano...
Viu?
Barco do Brasil?
Tem uma galera nessa foto, mas eu só consigo ver o oceano azul...
🙂

Durante:

A ilha de Bazaruto é como se fosse um ENORME banco de Areia, mas enorme mesmo. Então obviamente, a gente já se deu de cara com um e foi se divertir nele… Descendo rolando eahuehuehueauh

Depois descemos correndo. Notem os passos, só tem 2 caminhos... O Lobinho subiu pelo lado... ahahahahah
Já as meninas desceram semi-rolando...
Essa é a visão de cima da Duna. Clique na imagem para ver maior.
Esse era o lugarzinho do descanso pra gente...
Viu que eu falei que era um ENORME bando de areia? Olha o tamanho das pessoas aí na foto....
Agora do outro lado da ilha. Clique na imagem para ver maior.
Para o meu pai não reclamar que eu não saio nas fotos! eauheahuea Odeio essas Self picture...

A visão que se tem de cima das dunas e da ilha para o mar é impressionantemente linda! A medida que a maré vai subindo vai escondendo essas belezas, e por isso é importante explorar bem enquanto está bem baixa, principalmente para fazer Snorkling. Ali tem peixes lindos, inclusive eu vi até um peixe tigre. Pena que não dá pra tirar fotos deles, né? E claro, nada melhor que fazer snorkling com um biólogo marinho, né, Paulo Ven?

Paulo, Paulo! Tem um peixe TIGRE aqui! Corrreeeee Nego!!!
E a galera da Ilha ficava descansando ali, beeeem tranquila....

Pós:

Bom, agora começava a jornada de volta. A viagem de Vilanculos até Bazaruto é uma viagem bem demorada, demora umas 3 horas de barco. O previsto era para ter sido 1:45… Pelo menos foi o que o cara nos disse que ia demorar….

Na volta (na verdade tanto na volta quanto na ida) tu pode aproveitar para ver as outras ilhas, e também os hóteis que tem por lá. Sério, alguns hotéis por enquanto são financeiramente inviáveis… eheheh Girando em torno de 500 a 1500 USD a diária. Mas eles ficam estratégicamente bem colocados nas ilhas, com barco especial para busca e ótimas regalias.

Hotel Azurra na ilha de Benguerra. Olhando pro céu, dá pra notar o que vinha pela frente...
Hotel na ilha de Benguerra. Hóspedes bem simpáticos! 😀 Olha a vida boa da mulher ali... Deitada no puff na beira do paraíso. Chegamos lá...

Além disso, resolvemos comprar uns peixes para depois assarmos no hotel, e encontramos uns barcos na beira dessa ilha que mostrei acima. História engraçada:

Quando paramos, nosso “guia” desceu do barco e foi ali na beira comprar os peixes para nós (afinal, ele entendia mais que a gente). Quando ele desceu, brotou seguranças do hotel de todos os cantos querendo prender ele. Com algemas e tudo. ÓBVIO, a gente ficou tirando sarro da cara de sério do segurança, e depois de uns 5 min fazendo piada, ele largou um sorrisinho para gente. ehehheheeh Foi divertido.

Nosso "guia" negociando os peixes. Acabou que os peixes não estavam muito bons e ele acabou comprando na cidade para nós. Ou seja, quase foi preso por nada... heheheh Nosso guia era o guri de vermelho ali (o fora do barco)...
O segurança com cara de mal... e algemas!!

Ai começou o problema…. O grande detalhe é que saimos muito tarde da ilha e com essas paradas para comprar peixe e o tempo fechando, acabamos pegando um mar BEM agitado em um barco de madeira, enquanto a noite começava a aparecer… Ah, e o motor do barco tava falhando! EAhueauheahueuhae

Vocês notaram uma coincidência? Lembra aquela vez que eu fui para Ilha de Inhaaca em Maputo e acabei me acidentando de barco? Pois é, acho que eu não dou muita sorte mesmo…

Consequência?

Parecia um filme de terror: Mar agitado, tudo escuro, motor falhando… Pessoas chorando, vomitando e morrendo de medo. Quero abrir uma exceção aqui para a Marinela, que durmir tranquilamente a viagem toda, mesmo tomando laçassos de água a cada 2 min, que entravam no barco quando ele encarava as ondas. Detalhe que ela tava sentada BEM na frente do barco… Foi cômico.

Mas e quem disse que eu passei mal? Quem disse que eu fiquei com medo??? (claro que fiquei!!!) Mas eu e o Paulo tava numa good vibe… E ficamos assim:

Vai uma cervejinha ai??? Ainda não tinha ficado incrivemente escuro essa hora... Essas coisas embaixos dos panos ali, são pessoas! ahahahh

Obviamente, essa foi uma das únicas fotos do momento, quando a Roberta perdeu o medo e pavor, pegou a máquina e fotografou a cena. Explicando ela, tava todo mundo se protegendo da água que vinha, embaixo de esteiras, panos, e tudo que encontrava na frente. Mas claro, aproveitamos pra beber uma cervejinha e encarar a viagem mais tranquilos! eahueahueuhahuaehue Se era pra morrer, ia morrer sorrindo! ahahauehuehueahuea Tem que rir agora mesmo…

Depois que chegamos vivos no continente, primeiro agradecemos, depois compramos nossos peixes e fomos assar. Claro, esganados, compramos uma quantidade de peixes para um batalhão comer…. Deu que o Paulo se virou nos temperos pra fazer os peixes e dos 3 que compramos, conseguimos entre 8 pessoas, comer 1 e meio. ahahahahha O resto ficou pro staff do hotel mesmo… Fizaram A festa comendo…

Esses foram apenas 2 dos que a gente comprou. O outro, era tipo o dobro do tamanho desses.... Esganados que não pudia mais.... eheheheh Em outra vida a gente deve ter passado fome, sei lá. Detalhe pra alegria do vendedor.
Os peixinhos... Já tinhamos acabado com um inteiro e já estavamos cheios. Mas olha o que restava....

Depois de comer todos esses peixes, ninguem aguentava mais nem respirar, então fomos dormir. No outro dia, aproveitamos a manhã para tirarmos umas fotos na beira do mar, em frente ao hotel. É muito divertido andar pelo mar enquanto a maré está baixa… Aquela foto na abertura, foi tirada nessa hora.

Maré baixa em um mar assim, é algo lindíssimo. São mais ou menos uns 100 metros que reduz de água.
Cibele e seu cão amigo... 😛
Grande Cibele! Figura única aqui de Tete. 😀

Depois de sairmos, tentamos dar uma passada pelo mercado público de Vilanculos, mas depois de notarmos que era simplesmente igual ao Mercado aqui de Tete, o Kwatchena (sei lá se é assim que se escreve), resolvemos ir embora direto. Mas achei umas coisinhas pra brincar…

Instinto músico batendo... ehhehe
As obras de pau preto. Tem pra vender por toda a parte.

E é isso gente. Espero que tenham gostado. Em breve um post com notícias sobre a vida, amor, as abelhinhas e borboletas. 😛

Obrigado pela cia, pessoal!

Saudades eternas de todos, que pelo menos sei que serão sanadas em breve! 🙂 Alegria, alegria!

Tiago

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8 comentários sobre “Vilanculos / Bazaruto

  1. As senhoras de branco sao da igreja apostolica, em moz sao identificados por usar roupa branca…assim deviam estar a voltar ou ir a igreja.

    1. Olá Paulo! Desculpe a demora pela resposta. A viagem foi organizada pelo próprio hotel, geralmente eu considero a melhor escolha. Apenas uma recomendação: Garanta que o barco tem 1 motor potente ou 2 motores pequenos, caso contrário ele não deve sair do lugar.

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