Uma amizade pode mudar o mundo?

E ai minha gente, que tal essa vida?

Sabe, faz tempo que eu tava pensando em escrever sobre algumas coisas, mas uma delas se destacava. Tudo começa com uma frase que não sai da minha cabeça:

“Ter morado longe me fez me preocupar constantemente com lugares e pessoas que estão longe de mim.”

Essa frase teve um impacto muito grande na minha vida. Eu ouvi ela um bom tempo atras de uma pessoa que hoje considero um grande amigo, Jeroen Munsters, holandês que foi intercambista em Santa Maria, pela AIESEC, no ano de 2006. Essa frase é muito interessante, por que ele tava falando do impacto que ter viajado e morado em Santa Maria – Brasil, por um ano, fez na vida dele.

O que ele quiz dizer com isso é que toda vez que ele via notícias sobre o Brasil, boas ou ruins, ele realmente se importava com elas. Afinal, uma parte da vida dele estava lá. Ele tinha morado 1 ano com pessoas que o receberam e que em muitos ângulos mudaram a vida dele, e as notícias que aconteciam naquele país agora realmente interessavam a ele. Sabe por que? Por que ele se importava com aquelas pessoas.

Fico pensando também na impressão que as pessoas que viajam para fora de seus países passam para o povo do outro país onde elas foram. Hoje eu tenho um amor inexplicável pela Colômbia, coisa que em geral, para pessoas alienadas, é meio sem explicação. Quando as pessoas pensam sobre a Colômbia, elas geralmente pensam direto em narcotráfico, drogas e coisas gênero. EU, quando penso na Colômbia, penso nas pessoas maravilhosas e alegres que conheci de lá… Pessoas essas, que passaram a impressão de que a Colombia é um país feliz e cheio de pessoas maravilhosas como elas, e eu tenho maior orgulho de ter conhecido essas pessoas.

Sentimento parecido sinto quando penso na Grécia. Conheci pouquíssimas pessoas de lá, mas as pessoas que conheci, causaram uma impressão tão boa para mim que eu nem sei explicar direito o carinho que aprendi a sentir pelo povo e pelo país que é a Grécia (também convenhamos, é impossível não achar toda aquela história e praias lindíssimas, né?).

Esse mesmo sentimento, se replica a Costa Rica, Inglaterra, Japão, Argentina, China, Mexico, Polônia, India, França, Australia, Moçambique, e mais um monte de países que eu poderia listar aqui. Foram tantas pessoas que conheci pelo mundo graças as viagens que fiz ou intercambistas que recebi/conheci, que hoje realmente me importo com o que acontece em quase todos os continentes do planeta.

Sabe, não me importa o que passa nos noticiários, não me importa o que eles falam dos países, não me importa, pelo menos diretamente, os problemas que o país realmente tem. Hoje quando penso em alguns países, eu penso nas pessoas que conheci de lá, elas são a minha referência, elas mostraram sua cultura e apresentaram seu país para mim e a impressão que tenho do país é a impressão que elas criaram em mim.

Por isso, toda vez que vejo notícias desses países, eu penso nessas pessoas.

Quando vi a notícia da crise no Egito, mesmo não conhecendo ninguem próximo de lá, pensei em um amiga que estava fazendo intercâmbio lá. Lembro que o primeiro pensamento que veio a minha cabeça era se ela estava bem e fui logo mandar uma mensagem no Facebook para ela.

Você entende o que eu estou dizendo?

Quando eu penso que estou em Moçambique e vejo todos os brasileiros que estão aqui, analiso a impressão eu e eles passamos do Brasil. Penso também, que conheci pessoas nativas tão especiais aqui, que quando eu voltar para o Brasil vou estar sempre pensando nelas, pensando em como aquelas pessoas especiais que eu conheci durante a minha viagem estarão. Como estarão seus filhos? O que eles tem feito? Quais serão os seuss planos? Estarão todos felizes e saudáveis?!?!

Sabe, acho que isso explica o poder do conhecimento cultural, da bagagem cultural que podemos adquirir. Muito mais do que o conhecimento da cultura que vivemos enquanto estamos fora, viajar é conhecer pessoas. São essas pessoas que fazem a cultura do país acontecer, são elas que fazem com que tudo seja realidade.

Conhecer pessoas para mim é fazer amigos, e eu amo meus amigos, e consequentemente, eu me importo com eles. Por isso, estarei sempre preocupado com o que acontece no país deles e nunca pensaria em fazer mal para alguem de lá. Acho que sentiria que estaria fazendo mal para meus próprios amigos.

Alguns podem dizer que considerar “amigo” pessoas que tu conheceu apenas superficialmente seja besteira ou até mesmo futilidade. Sinceramente, cada um com as suas definições. Pra mim, amigos são pessoas que eu me importo, independente de quanto tempo eu tenho ficado em contato com elas. Amigos é uma coisa, irmãos são outra (ps: meu conceito de irmão se extende a mais que apenas o laço sangüineo…).

Esse é o peso de uma amizade. Quando tu ama (ou gosta) e se importa com alguem, tu se preocupa. O carinho que eu tenho pelas pessoas que eu conheci enquanto viajei durante minha vida, fazem com que eu tenha uma visão quem sabe peculiar do mundo, afinal, para mim o meu mundo são elas. E p****, meu mundo é muito massa.

Seria essa uma das soluções para a paz mundial? Estaria a AIESEC (www.aiesec.org) correta em sua missão que o entendimento cultural gera a paz mundial?

Eu sinceramente, não sei se é o correto. Mas mais que simplesmente acreditar na missão de uma ONG, acredito no que eu sinto. Para mim, isso é uma realidade, mas para outras pessoas não. O que importa para mim é que o MEU mundo é um mundo que parece VIVER em PAZ, com pessoas especiais e que parecem ter o mesmo anseio que eu:

Se preocupar com os outros, independente do gênero, raça, cor, credo, sexo, nacionalidade ou qualquer outra coisa que possa diferenciar os seres humanos. Ou seja, se preocupar com o mundo. 🙂

Meus amigos pelo mundo por um aplicativo do Facebook. “Tiago Bortolin Maciel has 1298 friends in 135 places around the world.” (Tiago tem 1298 amigos em 135 lugares ao redor do mundo).” Clique para ampliar um pouquinho…

Aproveito também para dizer que mesmo longe do Brasil, meus amigos brasileiros tem um papel essencial enquanto estou aqui. O suporte que muitos dão a mim e a presença deles seja por msgs, ligações ou bate-papos rápidos fazem toda a diferença enquanto estou aqui. Acho que a internet tem esse papel mágico de diminuir distâncias e aproximar pessoas. Ela já tem provado sua força aqui na África… Egito e Líbia que o digam.

Obrigado a todos que fazem parte do meu mundo assim, independente da distância ou dificuldades.

Os meus amigos fizeram o meu mundo e te garanto, ele é flor de especial. E o teu?

Tiago

ps1: Apesar de não ter escrito esse post com esse intuito, hoje (08/03) a AIESEC fez uma campanha, o AIESEC Day, ou Dia da AIESEC, por isso acho que esse post pode servir como uma homenagem a ela, já que ela foi responsável por eu ter conhecido pessoas de praticamente todos os continentes do planeta.

ps2: Hoje é o dia da mulher. Parabéns mulheres! Apesar de vocês serem todas complicadas, a gente realmente ama vocês. 🙂

ps3 (11/03): Parece que o meu texto foi premeditado até. Infelizmente senti exatamente o que eu falei para vocês graças aos incidentes no Japão. Pelo menos já descobri que minha amiga de lá está bem.

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10 comentários sobre “Uma amizade pode mudar o mundo?

  1. Baita post… me identifiquei muito!! “Conhecer mais as pessoas e se importar mais” tá realmente em falta… e também fazendo falta pro mundo!

    Abraço!

    PS: Tá faltando amigo na África, hein, loko?

  2. Tii!
    Impressionante neh como por mais incrível que seja um lugar, as pessoas são sempre as coisas mais bonitas que levamos dele. Um bonito post tiaguinho =D
    Nao para de mandar noticias que tem um batalhão se importando contigo!
    Saudades. Beijao!

  3. Dale loko véio!
    Voltando a ler teu blog e me deparo com esse post… E justamente em um momento que sinto esse exato sentimento que você aí descreve.

    Muito bem dito, e compartilho que sinto o mesmo, temos (não só você e eu, mas diversos AIESECos) esses sentimentos em comum.

    Forte abraço, logo lerei outros posts!
    Até mais!

  4. Eae menino!? Tudo bem?

    Sinto exatamente o que você descreveu tão bem nesse belo post. O mundo se transforma aos nossos olhos quando um “mero” país vira, na verdade, a casa de um grande amigo que conhecemos. Tudo mudo de perspectiva!
    Parabéns pelo post! Vou continuar acompanhando teu blog que está nos meus favoritos 🙂
    beijos!
    Kiki
    (VPF 2008 @PUC)

  5. Mesmo não sendo AIESECo(ainda?), conheço muita gente de dentro e mesmo as pessoas que não são e viajam, devem sentir isso. Ou deveriam!
    Não sou tão pop internacionalmente quanto tu, mas digo que isso ‘funciona’ mesmo com pessoas que moram dentro do Brasil e moram longe, afinal, o nordeste é praticamente um outro país!

    abraço aí ovnito!

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